Depois de uns meses sem vir actualizar o meu cantinho, eis que chega a hora de o fazer.
Terminou 2009, um ano fantástico em todos os níveis.
Entre família, trabalho, andebol, amigos e amor tudo correu na perfeição. Viagens... Aventuras... Histórias que ficam, fotografias (muitas) para recordar tudo e todos para sempre.
Fui finalmente colocada... como escrevi no post anterior, em Barrancos!!! Depois do "choque" inicial de ficar a mais de 500km de casa, fui-me habituando e fui muito bem recebida. Fico feliz por poder dizer que já tenho amigos aqui e não apenas colegas de trabalho. É o que tem de bom estarmos deslocados, apoiamo-nos sempre uns nos outros e os laços ficam mais fortes mais depressa. Agradeço não só aos que, como eu, estão "desterrados", mas também aos da terra que já são amigos.
Em relação à escola, tem corrido tudo muito bem, pena os miúdos serem desinteressados pela escola, sem grandes perspectivas de futuro, mas isso... quais são os miúdos de hoje em dia que são diferentes?? muito poucos... Mas isso não me tira o encanto e a paixão da profissão! :)
Quanto ao andebol, acabou uma época fantástica e começou uma nova... estou ausente, só de vez em quando nos fins de semana, mas estou muito presente em pensamento e coração com as "minhas meninas" e sobretudo, os "meus meninos" que deixei para trás.
Das viagens, aventuras... nem vou falar... são tantas e tão boas, que iria demorar horas a escrever tudo!
Começa então 2010 com um grande ponte de interrogação em relação ao futuro. Sob vários aspectos. Não faço ideia de onde estarei daqui a 7 meses, se terei trabalho no final do ano lectivo, a cidade onde estarei a viver... Mas tenho a certeza de que as pessoas que realmente me querem bem e gostam de mim, estarão sempre lá para me apoiar, ao meu lado.
A todas essas pessoas desejo tudo de melhor neste novo ano, e em muitos outros que virão. São elas que realmente importam e fazem de mim a pessoa que sou hoje.
Conluíndo... deste balanço posso dizer que terminou mais um ano maravilhoso e começou um novo ano que, espero, se revele fantástico!
A todos vocês, um fantástico 2010! :)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
domingo, 6 de setembro de 2009
Ano lectivo novo... vida nova!!!
Despois de umas (pequenas) férias merecidas, é tempo de pensar no que vai acontecer na minha vida este ano.
Estava em descansadinha da minha vida, depois de uns maravilhosos dias em Paris e na calma do campo (Trás-os-montes e Douro!), a pensar que ainda não era desta que seria colocada para dar aulas logo no início do ano, quando tive uma grande surpresa... Estava a contar ser colocada em Outubro ou Novembro, mas não... fiquei colocada em Setembro!!! Mas que grande alegria!! :)
Passada a euforia dos primeiros 15 segundo... vejo que fico colocada no local mais improvável, possível ou imaginário.. onde eu nem sabia que existia uma escola... Pois bem, vim parar ao alentejo profundo, profundíssimoooo... Barrancos!!!
E cá estou eu, na vila mais conhecida de Portugal por causa dos touros de morte... Onde sou avisada por colegas na escola que "as mulheres aqui não frequentam os cafés..." (do género nem pensem em ir a um café...), onde faz um calor de morrer, não se vê vivalma nas ruas... onde a povoação mais próxima fica a 9km.. em Espanha, pois claro!!! E a povoação portuguesa mais próxima fica a 26km numa estrada que faz parecer que são 100km... E melhor, só existem dois mini-mercados (quando falo "mini", é mesmo mini) onde tudo é mais caro, ou seja, para fazer compras tem de ser ir a Reguengos de Monsaraz (70km) ou Moura (50km)...
Mas calma!!! Isto tem dois bancos, multibanco, correios, junta de freguesia, câmara municipal!! Centro de saúde, farmácia, bombeiros, campo de futebol com relvado sintético novinho em folha (onde já me disseram que posso dar aulas quando quiser), piscinas (descobertas, que dão um jeito enorme nos dias de muito calor), uma pastelaria, e os tais cafés não frequentados por mulheres... De resto ainda não vi muito mais!!
E é aqui que vou passar o próximo ano lectivo... Ao menos tenho turmas que variam entre o 14 e os 16 alunos... suponho que deve ser uma paz dar aulas a tão poucos alunos!!
Vou ter todos os cargos e mais alguns que um professor pode ter numa escola... Ou seja, quando terminar este ano, ao menoa vou estar calejada para tudo o que possa acontecer no futuro!! eheh :)
Tenho pena de deixar os meus meninos do andebol e a minha fantástica equipa.. Mas prometo que vou tentar ir ao Porto o máximo de vezes possível!! :)
Mas como dizem os meus amigos, há que pensar positivo!!! Posso ir abastecer o carro a Espanha bem mais barato, o gás também se compra lá a metade do preço... Ah!! Posso ir correr até Espanha, que fica a 5min a pé de minha casa, e se quiser ir ao café, passo a fazer viagens internacionais todos os dias!!!
E pronto... Assim começa uma nova aventura!!!
Estava em descansadinha da minha vida, depois de uns maravilhosos dias em Paris e na calma do campo (Trás-os-montes e Douro!), a pensar que ainda não era desta que seria colocada para dar aulas logo no início do ano, quando tive uma grande surpresa... Estava a contar ser colocada em Outubro ou Novembro, mas não... fiquei colocada em Setembro!!! Mas que grande alegria!! :)
Passada a euforia dos primeiros 15 segundo... vejo que fico colocada no local mais improvável, possível ou imaginário.. onde eu nem sabia que existia uma escola... Pois bem, vim parar ao alentejo profundo, profundíssimoooo... Barrancos!!!
E cá estou eu, na vila mais conhecida de Portugal por causa dos touros de morte... Onde sou avisada por colegas na escola que "as mulheres aqui não frequentam os cafés..." (do género nem pensem em ir a um café...), onde faz um calor de morrer, não se vê vivalma nas ruas... onde a povoação mais próxima fica a 9km.. em Espanha, pois claro!!! E a povoação portuguesa mais próxima fica a 26km numa estrada que faz parecer que são 100km... E melhor, só existem dois mini-mercados (quando falo "mini", é mesmo mini) onde tudo é mais caro, ou seja, para fazer compras tem de ser ir a Reguengos de Monsaraz (70km) ou Moura (50km)...
Mas calma!!! Isto tem dois bancos, multibanco, correios, junta de freguesia, câmara municipal!! Centro de saúde, farmácia, bombeiros, campo de futebol com relvado sintético novinho em folha (onde já me disseram que posso dar aulas quando quiser), piscinas (descobertas, que dão um jeito enorme nos dias de muito calor), uma pastelaria, e os tais cafés não frequentados por mulheres... De resto ainda não vi muito mais!!
E é aqui que vou passar o próximo ano lectivo... Ao menos tenho turmas que variam entre o 14 e os 16 alunos... suponho que deve ser uma paz dar aulas a tão poucos alunos!!
Vou ter todos os cargos e mais alguns que um professor pode ter numa escola... Ou seja, quando terminar este ano, ao menoa vou estar calejada para tudo o que possa acontecer no futuro!! eheh :)
Tenho pena de deixar os meus meninos do andebol e a minha fantástica equipa.. Mas prometo que vou tentar ir ao Porto o máximo de vezes possível!! :)
Mas como dizem os meus amigos, há que pensar positivo!!! Posso ir abastecer o carro a Espanha bem mais barato, o gás também se compra lá a metade do preço... Ah!! Posso ir correr até Espanha, que fica a 5min a pé de minha casa, e se quiser ir ao café, passo a fazer viagens internacionais todos os dias!!!
E pronto... Assim começa uma nova aventura!!!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Fim de um ciclo
Torneio Costa D´oiro- Lagos 2009
Iniciados Masc. S.C.Salgueiros - 2º Lugar e prémio de melhor jogador para o Rafa (em Juv.Masc.)
Terminou neste torneio um ciclo de trabalho... 3 anos juntos, muitas coisas aconteceram, vitórias, derrotas, empates... Mas o mais importante é a evolução que tiveram, as amizades que vos unem! O gosto por esta modalidade fantástica e a vontade de a continuarem a praticar! :)
Faltam alguns jogadores na foto, uns porque não puderam ir ao torneio (Jorge, João e Pedro) ,e o Edu (que teve de abandonar o torneio mais cedo).
Mas este troféu é de todos e só queria dizer que foi um prazer trabalhar com todos vocês durante estes 3 anos!
Beijo grande para todos e até sempre! ;)
domingo, 26 de julho de 2009
Vacations
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
São João
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Texto de Pedro Abrunhosa sobre os professores
(…)
A contínua hostilização aos professores feita por este, e outros governos, vai acabar por levar cada vez mais pais a recorrer ao privado, mais caro e nem sempre tão bem equipado, mas com uma estabilidade garantida ao nível da conflitualidade laboral.
O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter.
O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.
(…)
O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante.
Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino.
Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade.
Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.
(…)
Pedro Abrunhosa
A contínua hostilização aos professores feita por este, e outros governos, vai acabar por levar cada vez mais pais a recorrer ao privado, mais caro e nem sempre tão bem equipado, mas com uma estabilidade garantida ao nível da conflitualidade laboral.
O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter.
O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.
(…)
O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante.
Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino.
Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade.
Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.
(…)
Pedro Abrunhosa
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